Comer carboidrato à noite engorda?
Comer carboidrato no jantar é um dos maiores medos de quem tenta “comer certo”. Arroz, batata ou macarrão acabam sendo cortados à noite como se o corpo tivesse um relógio interno que, ao anoitecer, decidisse transformar tudo em gordura. Mas a verdade é bem menos dramática, e muito mais lógica.
O nosso corpo não funciona por horário isolado, e sim pelo equilíbrio do dia como um todo. O que realmente influencia o ganho de peso é quanto você comeu ao longo do dia, como essas refeições foram distribuídas e se aquela energia faz sentido para a sua rotina, nível de atividade física e necessidades individuais. Não existe nenhuma evidência científica que mostre que o carboidrato consumido à noite engorde mais do que o consumido em outros horários.
Esse mito surgiu da ideia de que o metabolismo “desacelera” à noite e, por isso, queimaria menos calorias. Porém, o que leva ao ganho de peso não é o carboidrato em si, mas o excesso calórico constante, independentemente do horário. O carboidrato não é vilão, ele é uma fonte importante de energia e tem funções fundamentais no organismo.
Inclusive, estudos mostram que o consumo de carboidratos à noite pode trazer benefícios em alguns contextos. Em pessoas com resistência à insulina, por exemplo, o consumo noturno pode ajudar no controle da glicemia e da saciedade ao longo do dia seguinte. Além disso, o carboidrato estimula a liberação de serotonina e melatonina, hormônios relacionados ao relaxamento e à qualidade do sono, o que pode favorecer uma noite melhor de descanso.
Para quem quer incluir carboidratos no jantar sem culpa, alguns pontos ajudam a fazer escolhas mais equilibradas:
Olhe para o dia como um todo:
Não é o jantar isolado que determina resultados, mas o padrão alimentar diário. Se o dia foi equilibrado, o carboidrato à noite não será um problema.
Ajuste porções e contexto:
Arroz, batata, macarrão e outros carboidratos podem estar no jantar, sim. O segredo está na quantidade e na combinação com proteínas, fibras e gorduras boas.
Evite cortes radicais:
Excluir grupos alimentares, especialmente à noite, pode aumentar a fome, piorar a relação com a comida e até levar a episódios de exagero depois.
Respeite seu ritmo biológico:
Existe uma área chamada crononutrição que sugere refeições mais volumosas no início do dia e jantares mais leves. Mas isso não significa excluir carboidratos, e sim adaptar horários e quantidades à rotina e ao bem-estar de cada pessoa.
No fim das contas, comer carboidrato à noite não engorda por si só. O que engorda é o desequilíbrio constante, não o horário do prato. Aprender a montar refeições completas, respeitar sinais de fome e saciedade e abandonar o medo dos alimentos é o caminho mais sustentável para a saúde, e para uma relação mais leve com a comida.
Nutricionista Fernanda Guedes
CRN-3 74281
@nutrinandaguedes