O leite é inflamatório?
Quem busca uma alimentação mais saudável aprende rápido a evitar alimentos reconhecidamente inflamatórios, como frituras e ultraprocessados. Mas, no meio desse caminho, o leite acabou entrando na lista de “vilões” para muita gente. A dúvida é comum, e a resposta é mais simples do que parece: para pessoas saudáveis, o leite não é inflamatório.
O consenso entre pesquisadores é que não existem evidências científicas de que o leite cause inflamação sistêmica em pessoas que toleram bem esse alimento. Dentro de um plano alimentar equilibrado, o leite é nutritivo, fornece proteínas de alto valor biológico, cálcio, vitaminas e contribui para o bom funcionamento do organismo. Ele só se torna um problema quando o corpo, de fato, não consegue digeri-lo adequadamente.
Isso acontece, por exemplo, em casos de intolerância à lactose, quando há deficiência da enzima lactase, responsável por digerir o açúcar do leite. Nessas situações, o consumo pode causar sintomas como dor abdominal, gases, distensão e náuseas. O mesmo raciocínio vale para quem tem Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) ou qualquer outra alergia ou intolerância alimentar: se o alimento provoca uma reação adversa, ele passa a ser inflamatório para aquela pessoa, não porque o alimento seja “ruim”, mas porque o organismo não o tolera.
Ou seja, o leite não inflama o corpo por si só. Ele só será inflamatório se fizer mal para você. Se não há nenhuma condição de saúde que dificulte sua digestão ou absorção, o corpo consegue metabolizá-lo normalmente, sem gerar inflamação.
Para quem desconfia de intolerância à lactose, alguns caminhos podem ajudar:
Observe os sinais do corpo:
Desconforto abdominal, gases, diarreia ou náuseas após o consumo de leite e derivados podem indicar intolerância.
Avaliação clínica e exames:
O teste de intolerância à lactose é o mais comum e avalia como o organismo responde à ingestão da lactose. Também existem exames que dosam a enzima lactase e testes genéticos que indicam predisposição.
Teste alimentar orientado:
Muitas pessoas percebem melhora dos sintomas ao reduzir ou retirar o leite por um período e observar a resposta do corpo. Quando bem conduzido, esse processo pode ajudar na identificação do problema.
É importante lembrar que a produção de lactase pode diminuir com o passar dos anos, especialmente em pessoas com predisposição genética. Nesses casos, reduzir o consumo pode ser uma estratégia preventiva para evitar sintomas e processos inflamatórios locais, como gastrite ou desconfortos intestinais persistentes.
No fim das contas, o leite não precisa ser excluído da alimentação de forma generalizada. Nutrição não é sobre demonizar alimentos, mas sobre individualidade. O que inflama um organismo pode ser perfeitamente tolerado por outro. Respeitar os sinais do corpo e buscar orientação adequada é sempre o melhor caminho para uma alimentação saudável e equilibrada.
Nutricionista Fernanda Guedes
CRN-3 74281
@nutrinandaguedes